quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Caderno de duas linhas

Nunca soube muito bem para onde viajava, mas deixava-me ir sempre ao sabor do vento. Sempre fiz planos, sempre tracei roteiros... mas no fim... no fim, tomava outros rumos, seguia outros caminhos.
Não pensem que era uma pessoa inconstante, não é nada disso! Apenas me deixava levar na ondulação deste mar imenso que é a vida.
Queria ser o que não fui... 
... hoje em nada me arrependo, porque efectivamente, vivi coisas maravilhosas, fiz experiências sem tubos de ensaio, conheci lugares sem nunca ter saído do mesmo lugar.
Descobri que a vida é o que tiramos dela e não aquilo que conseguimos alcançar com ela!
Descobri que a vida está nas coisas simples, está nos momentos mais sem importancia, está onde pensamos que nada temos...
Foi difícil atingir esta conclusão... cheguei mesmo a caminhar iludida. Percorri um sem fim de caminhos repletos de sumptuosidade e  glória.
Mas hoje, quando sozinha nos meus pensamentos... o que me vem de imediato à memória, são caminhos simples... caminhos sem grandes impactos visuais.  É aquele dia em que no rio a água passava límpida e apressada; é aquele outro, em que simplesmente não ganhei nada; ou aquele, em que de tão simples que foi só me lembro do cheiro das pessoas, dos sons da rua, do medo que tive, da saudade que fica...
Quanto aos outros... aqueles repletos de sumptuosidade e  glória, tenho que pensar muito neles, não me vêm tranquilamente à memória, é preciso pensar e repensar neles porque primeiro só me consigo recordar da dificuldade que foi atingi-los, dos sacrifícios e das pessoas que afectaram...
Não me arrependo de nenhum caminho... até porque foram percorridos com muita certeza e muito afinco...
Mas realmente a viagem da minha vida escreve-se em caderno de 2 linhas... aquele em que quando crianças aprendíamos a fazer a letras certinhas e bonitas .... é nesse caderno que escrevo a minha vida aprendendo a torna-la bela... traçando-a para que fique cada dia mais certa e bonita! Preocupando-me mais com a simplicidade...


para a fábrica de letras, desafio: uma longa viagem

3 comentários:

El Matador disse...

As melhores viagens surgem quando não fazemos contas de sair do lugar em que nos encontramos.
A simplicidade é uma dádiva que nem todos sabem apreciar.

Bom texto.

Ps. - Sem querer armar-me em editor acho que te falta um N na primeira palavra do texto.

SC disse...

El Matador:

Obrigado pelo reparo(simplesmente temos de ser uns para os outros)... devo ter apagado sem querer.
E obrigado pela visita.

SC

aluisio martins disse...

a simplicidade é coisa para gente grande, é complexa demais e você a traduz de forma linda e poética...
muito bom...
abs